A Meta começou a notificar criadores no Brasil. Se seu conteúdo envolve crianças ou adolescentes, você tem 20 dias para agir e o relógio já está correndo.
O que está acontecendo: desde março de 2026, a Meta (Instagram, Facebook e Threads) passou a exigir alvará judicial para qualquer publicação monetizada ou patrocinada que envolva menores de 18 anos. Perfis que não se regularizarem estão sendo bloqueados.
Por que isso está acontecendo agora?
Não é exagero, não é boato. É lei. Em março de 2026 entrou em vigor o ECA Digital (Lei 15.211/2025), regulamentado pelo Decreto 12.880/2026. Ele estendeu ao ambiente digital uma exigência que já existia para novelas e comerciais de televisão: o alvará judicial para trabalho artístico de menores. ECA Digital
Na prática, o que era um processo informal, pais postando filhos em parcerias com marcas, virou trabalho digital regulamentado. E a Meta assinou um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) se comprometendo a fiscalizar e bloquear quem não se adequar.
A autodeclaração de idade foi proibida como critério de verificação. Menores de 13 anos não podem mais acessar as plataformas. Entre 13 e 17 anos, há restrições diretas à monetização, a não ser que exista autorização judicial válida.
Quem precisa do alvará?
Não é qualquer post com criança. O foco é o uso econômico da imagem do menor. Veja os casos obrigatórios:

Não se preocupe se: você apenas compartilha momentos do cotidiano da família sem finalidade comercial. A fiscalização é voltada para exploração econômica da imagem não para fotos de aniversário ou vídeos de viagem sem patrocínio.
Como solicitar o alvará: passo a passo
O pedido é feito pelos pais ou responsáveis legais, obrigatoriamente com auxílio de advogado. Veja o caminho:
1- Reúna a documentação necessária
Antes de qualquer coisa, organize os documentos abaixo. O processo pode ser devolvido se a documentação estiver incompleta.
- Documentos pessoais da criança/adolescente e dos responsáveis legais
- Comprovante de matrícula e frequência escolar atualizado
- Laudos de saúde (quando solicitados pelo juízo)
- Contratos, parcerias e cronograma de trabalho do menor
- Comprovação de que ao menos 30% dos rendimentos serão depositados em conta do menor
- Briefings ou roteiros detalhando as atividades a serem realizadas
2 – Procure um advogado especialista, que fará o protocolo na Vara da Infância e Juventude
O pedido deve ser encaminhado à Vara da Infância e Juventude da comarca onde a criança reside. Em municípios sem vara especializada, o pedido vai para um juiz da Justiça Estadual.
3 – Ministério Público analisa o pedido
O MP intervém obrigatoriamente como fiscal da lei. Pode solicitar documentos adicionais ou audiência para verificar as condições de trabalho do menor.
4 – Decisão judicial (7 a 30 dias úteis)
O juiz avalia se a atividade é compatível com a escola, não prejudica o desenvolvimento e garante os direitos da criança. Deferido, o alvará é entregue e pode ser apresentado à plataforma.
O alvará é permanente ou precisa ser renovado?
Não é permanente. O alvará é específico por atividade, cada campanha ou contrato diferente exige um novo pedido. Conteúdos recorrentes no canal exigem alvará de caráter contínuo, a ser avaliado pelo juízo.
E se eu não tiver sido notificado ainda? Preciso me regularizar já?
Sim. A orientação dos especialistas é agir de forma preventiva. A notificação pode chegar a qualquer momento, e o prazo de 20 dias é muito curto para iniciar um processo judicial do zero.
Meu filho é o criador de conteúdo, não apenas aparece. Muda algo?
Sim. Se o próprio menor é o influenciador (titular da conta, protagonista do conteúdo), a exigência de alvará se aplica com ainda mais força. A conta está vinculada ao trabalho digital de um menor, o que é exatamente o foco da nova regulamentação.
Quem arca com as consequências se não regularizar?
Pais, responsáveis e empresas contratantes podem ser responsabilizados solidariamente. Além do bloqueio do perfil, há risco de ações civis e trabalhistas por exploração de imagem de menor sem autorização


